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Entrevista

Vereador Eliseu Gabriel


A Entrevista deste número da RAFI  é com o professor e vereador da cidade de São Paulo, Eliseu Gabriel, considerado pela Sociedade Civil um dos melhores vereadores da legislatura 2001 – 2004.
O professor Eliseu Gabriel de Pieri, é paulistano, nascido na Vila Prudente, estudou sempre em escola pública, formou-se em Física pela Universidade de São Paulo – USP, lecionou em escola pública. Foi conselheiro da Sociedade Brasileira de Física e da Associação Brasileira de Tecnologia da Educação, além de ser autor de livros para o Ensino Médio.
Como vereador, sua atuação central está voltada para as seguintes ações: Segurança nas escolas e educação pública de qualidade; Combate incansável à corrupção; Apoio aos pequenos e médios empreendedores; Distribuição mais justa de renda na cidade de São Paulo; Apoio direto à organização da sociedade e às demandas da população; Defesa do meio ambiente e da qualidade de vida da população; Combate à violência; Defesa dos direitos dos cidadãos; Soberania Nacional.

Neste número, a RAFI entrevistou o vereador para conhecer o que pensa esse respeitado vereador sobre educação em nosso pais.

RAFI: Quem é o cidadão Eliseu Gabriel?

Uma pessoa profundamente incomodada com as injustiças de toda ordem, especialmente, as sociais. Curioso e intrigado com a natureza. Gosto muito de trabalhar na busca de desenvolver valores nas pessoas.

RAFI: Qual a função de um vereador?

Elaborar leis para a cidade. Decidir o destino do dinheiro arrecadado com os impostos que compõem o orçamento da cidade, apresentado pelo Prefeito. Fiscalizar os atos da Prefeitura. Por causa da pouca presença do poder público em várias regiões da cidade, o vereador é procurado pelo munícipe na esperança de que resolva todos os seus problemas. São solicitações de toda ordem, inclusive, reclamações de mau atendimento e denúncias de fraude em serviços ou obras públicas. Assim, a função do vereador tem sido também a de pressionar o executivo para resolver os inúmeros problemas que vão surgindo no dia-a-dia da cidade.

RAFI: O Senhor que, também, é professor, qual relação vê entre política e educação?

São duas coisas muito parecidas. Só pode ser professor que acredita que as pessoas podem mudar, podem melhorar. A mesma coisa com a política: uma pessoa honesta só participa da política se acreditar que é possível as pessoas evoluírem e as condições de vida da sociedade tornarem-se melhores, mesmo que isso aconteça muito lentamente.
Sou professor de Física e percebo que a política, como uma ciência como a física tem “pegadinhas escondidas”. Em geral, uma interpretação superficial de um fenômeno sem avaliar as outras variáveis embutidas nele, leva-nos a erros absurdos de interpretação.

RAFI: Em sua opinião, qual o principal problema da educação brasileira?

O maior problema é de ordem cultural. A escravidão no Brasil só terminou quase um século após a maioria dos países organizados. Os escravos foram abandonados nas ruas, sem nenhum apoio do poder público e até hoje as conseqüências estão ai. A idéia de que a educação é fundamental para a nação chegou muito tardiamente até nós.
Até 1930, quem trabalhava era desprezado e não tinha direitos.
A educação pública, praticamente, não existia. Somado ao que passamos na Ditadura Militar, de 1964 até 1985, que aniquilou a construção de nosso rico processo cultural. Mais ainda, a política econômica dos últimos governos, de total submissão aos interesses do sistema financeiro, está nos levando a um perigoso “beco sem saída”.

RAFI: Como o Senhor avalia a Política Pública Educacional do Estado de São Paulo? E da cidade?

No Estado, um desastre, a implantação da progressão continuada sem as devidas condições e cuidados desmoralizou completamente o professor e a escola. O afastamento da família do processo educacional é outro problema grave. No município, a situação é um pouco melhor. O problema de fundo é que o Brasil não tem em seu horizonte um Projeto Nacional e Democrático de Desenvolvimento e o que se estuda, parece-me mais um “adestramento”. Quero deixar claro que existem maneiras de sair dessa situação...

RAFI: Em sua visão, o que poderia ser feito para melhorar a educação em nível estadual e nacional?

Além do investimento na formação do professor, o Brasil precisa ter um Projeto de Nação, pois a Educação em si não resolve sozinha o problema de nosso desenvolvimento.

RAFI: Nos últimos anos, vimos aumentar muito a oferta de vagas para o Ensino Superior, sobretudo no que se refere às escolas particulares. Por outro lado, as últimas avaliações do MEC constatam que muitas dessas instituições de ensino têm obtido conceitos baixos ou medianos (2 ou 3). Diante desse quadro, o que o Senhor recomendaria a um aspirante ao ensino Superior?

Infelizmente, o ensino superior virou um caça-níqueis. Perde-se um enorme esforço para os estudantes fazerem o que poderiam ter feito no Ensino Médio e mesmo no Ensino Fundamental. Mas há faculdades sérias que, realmente, formam o aluno para o trabalho em nível universitário. Uma delas, sem dúvida, é a Faculdade Campos Elíseos.
Primeiro, é preciso pensar no campo profissional que está escolhendo. Coisas que estão na moda, como comunicação, por exemplo, podem levar a grandes desilusões e perda de tempo.
Outra coisa, é preciso procurar bem a faculdade, conhecê-la sem iludir-se com a pujança do prédio ou a propaganda na televisão. Ver quem dirige e o que está por trás da instituição.

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