
A CABEÇA DO BRASILEIRO
Autor: Alberto Carlos Almeida,
Editora Record, 2007, 227 páginas.
O autor é colunista do jornal Valor Econômico,
Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)
e diretor de planejamento da Ipsos Public Affairs,
responsável pelo Pulso Brasil, uma pesquisa mensal
sobre consumo, economia e política. É autor dos livros
Por que Lula?(2006), Como são feitas as pesquisas
eleitorais e de opinião(2002) e Presidencialismo,
parlamentarismo e crise política no Brasil (1998).
Almeida (2007) faz algumas reflexões: até que ponto os brasileiros mostram no cotidiano das relações interpessoais, valores compatíveis com a prática da democracia? Como são vistas as noções de igualdade, os princípios do universalismo e a obediência às leis?
Para responder a essas questões, a obra apresenta os resultados obtidos através da Pesquisa Social Brasileira, realizada pela Universidade Fluminense, sob sua coordenação.
A obra é composta por um texto de apresentação, a introdução, onze capítulos e a conclusão.
Na apresentação o autor explica a importância de Roberto DaMatta no estudo da sociedade brasileira e na interpretação das relações sociais no Brasil. Na Introdução, fala de dois “Brasis”: o arcaico e o moderno e, além disso, aponta para uma sociedade profundamente dividida, dois países separados num verdadeiro apartheid cultural.
Na seqüência, ele expõe os dados obtidos na pesquisa, os quais revelam que enquanto a classe baixa defende valores que tendem a, lentamente, morrer ou se enfraquecer, a classe alta, ao contrário, mantém-se alinhada a muitos dos princípios sociais cultivados nos países já desenvolvidos. Sua pesquisa aponta que entre os fatores determinantes para essa divisão entre os brasileiros, está o nível de escolaridade. A pesquisa ainda estabelece uma relação direta o grau de escolaridade e a forma de pensar do cidadão: quanto menor o grau de escolaridade mais arcaica é a mentalidade da pessoa.
Diante disso, Almeida infere que, como a maior parte da população brasileira tem escolaridade baixa, a mentalidade de grande parte da população obedecerá as seguintes características: apóia o “jeitinho brasileiro”, é hierárquica e patrimonialista, não confia nos amigos, é fatalista, não tem espírito público, defende a “lei de Talião”, é contra o liberalismo sexual, é a favor de mais intervenção do Estado na economia e da censura.
O livro lança mão de várias tabelas e quadros para apresentar os principais resultados, a partir dos quais o autor justifica o perfil traçado acima sobre a mentalidade da maioria da população brasileira.
Os onze capítulos tratam de vários assuntos tais como a corrupção, sexualidade, o amor do brasileiro pelo Estado, o preconceito racial, a política de cotas, o fatalismo e hierarquismo social.
Na conclusão, o Almeida discorre sobre o fato de sua pesquisa confirmar a contribuição de Roberto DaMatta para a antropologia, bem como, sobre as críticas feitas a seu trabalho por outros pesquisadores.
Trata-se de um trabalho científico, destinado a professores e estudantes das ciências sociais, ou pessoas envolvidas em atividades que considerem a relevância da influência dos aspectos culturais do povo brasileiro.
É uma leitura simples e que não requer qualificação técnica para a sua compreensão. Vale a pena a sua leitura!
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